quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
>>>Hedonismo consumista
Peter Eisenmann apud ÁBALOS, 2001
objetos de desejo e realização...
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Heidegger e algumas questões ontológicas

Heidegger com um balde de água na porta da cabana.
O Habitar, para Heidegger, em seu pensamento existencial, não é visto insubstancialmente. E essa questão remete às perguntas primeiras, indagações sobre o ser e seu sentido, tratando-as como objeto primeiro da Filosofia. Para o filósofo, essa pergunta não pode ser entendida sem considerar o redor onde vive o sujeito existencial, tudo que lhe é familiar. A casa está como materialização de uma vida que se desenvolve através de um tempo existencial e não cronológico.
A casa do sujeito que se interroga sobre si mesmo é algo mais que um marco neutro, nela habita quem pensa sobre si mesmo e por sua vez esse pensamento habita a casa.
A habitação é um reflexo de nossos conflitos, um lugar do íntimo e do inóspito, um lugar de alienação que mostra ou esconde um despreendimento, uma capacidade para o pleno desenvolvimento do ser.
a antecipação de Mies...
Ao longo de quase oito anos, desenvolveu-se em Mies van der Rohe uma incessante inquietação e pesquisa em torno das "casas-pátio" desenhadas por ele. Qual a intenção e o sentido dessa incansável investigação? O que buscava e quais conclusões obteve alcançado seu resultado mais elaborado em 1934, "A casa de três pátios"?
No auge de sua carreira como arquiteto, Mies inicia seu contato com um novo grupo de inelectuais e vislumbra novas concepções. Em especial, Alois Riehl, seu cliente e estudioso da obra de Nietzsche. Na medida em que se aproxima da obra do filósofo alemão, distancia-se do Positivismo Moderno e seus preceitos.
"Somente através do conhecimento filosófico se revela a ordem correta de nossas tarefas e assim o valor e dignidade de nossa existência." MIES, 1927
"Objeto-tipo"
Logo Mies inicia sua investigação em torno do Existenzminimun visando a otimização de tipos standartizados de moradias para famílias operárias.
A aprimoração de Mies visava a idéia de "individualizar um sistema", isto é, operar com poucas variáveis ligadas entre si para obter resultados completos e diversos: construtivos, espaciais e estruturais.
Se estudamos as dimensões desses projetos todos aproximam-se de 200 e 300 metros quadrados, somando os pátios, aproximam-se de 1000 metros.
As casas-pátios, como exercícios abstratos, e projetadas sem cliente são desprovidas de um programa familiar. E Mies, querendo trabalhar o máximo de abstração sobre a habitação, se nega a pensar em termos "familiares". Renuncia-se a pensar em programas convencionais completos, elementos representativos de privacidade e exigências morais embutidas.
Em nenhum desses estudos as tipologias possuem mais de um dormitório, mais precisamente, nenhuma possui mais que uma cama. Na verdade, não existe um espaço enclausurado, um "cômodo" que possa denominar-se dormitório. O espaço organiza-se de forma contínua com interrupções onde estão móveis e objetos. Essas "interrupções" são planos que sutilmente indicam as funções a serem executadas no local. Nesse momento, Mies van der Rohe já dava início a discussão sobre continuidade e conectividade, o questionamento de como viveria o homem moderno se visasse atender unicamente sua individualidade.
Investigação Miesiana X Tirania igualitarista do "objeto-tipo"
= Casa com três pátios de 1934
Apesar do caráter contínuo, os espaços e seus usos se distinguem com clareza. Sua distribuição é relativamente funcional, os espaços adequados, a cama com dimensões generosas.
Se considerassemos duas dimensões, dificilmente imaginaríamos que seu usuário seria uma pessoa única. Assim como, não imaginaríamos que os muros ali presentes não pretendem servir de limites para o lote, nem para criar ali um microclima. Os muros estão para criar um ambiente de privacidade, para ocultar o habitante da moradia, para permitir que se desenvolva dentro da casa uma vida profundamente livre, livre de toda moral, distante de qualquer coersão social ou policial.
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
die Übermensch...
costas, inclusive uns em relação aos outros e mesmo cada um quanto a si próprio: somente as sombras naquela parede. Sua sabedoria, porém, constituir-se-ia na previsão da seqüência daquelas sombras, aprendida por experiência. Por outro lado, que pode ser denominado única e verdadeiramente existente (óntôs ón) porque sempre é, mas nunca vem a ser, nem deixa de ser, são os modelos de tais imagens: as idéias eternas, as formas originais de todas as coisas." SCHOPENHAUER

Nietzsche apropria-se de preceitos Darwinistas da Teoria da Evolução tomando-as como base afirmativa da prevalência do homem evoluído sobre os menos evoluídos, e não abordando somente a evolução educacional ou espiritual, mas também, a prevalência de um homem fisicamente mais forte, assumindo um “Homem Superior”: o Übermensch, literalmente, “Super-Homem”.
Para definir o Übermensch aqui citado precisamos retomar ensinos apresentados na filosofia Nietzscheana. Vale-se da ressalva que até nos dias de hoje, o conceito abordado por Nietzsche de forma complexa e por vezes contraditória, é causa de dúvidas e incertezas naqueles que tratam dessa área da filosofia.
Esse conceito já foi por diversas vezes apropriado de forma demasiadamente equivocada por certos que visavam se beneficiar das “idéias” de um filósofo reconhecidamente brilhante do século XIX. O primeiro deles foram os Nazistas, Hitler, tomou o conceito de “Super-Homem” de Nietzsche para defender sua teoria de raça ariana, de uma raça evoluída. O que na verdade, não era a pretensão de Nietzsche. Por iniciativa de alguns pensadores franceses, como Michel Foucault, Gilles Deleuze e Pierre Klossowski, entre outros - iniciou-se um processo de releitura dos textos nietzscheanos. Descobriu-se, então, que Nietzsche havia sido um dos mais contundentes críticos do anti-semitismo apregoado pelos nazistas.[1]
Mais recentemente, um grupo de futuristas transumanistas, denominados Extropianos[1], que se ocupam da aceleração da evolução da vida inteligente além da sua forma atual, por meio da ciência e tecnologia.[2]
O Übermensch Nietzscheano está muito além de qualquer definição por parte desses grupos. Ele próprio não acreditava na “realidade” do Übermensch, ou seja, na existência física desse Super-Homem, nem ele próprio, nem o que hoje acreditamos ser “mentes brilhantes”. Para Nietzsche, o estado de “Super-Homem” ainda não seria assumido corporeamente até os dias de hoje.
"Apenas os medíocres têm perspectivas de prosseguir, procriar - eles são os homens do futuro, os único sobreviventes: "sejam como eles! Tornem-se medíocres!", diz a única moral que agora tem sentido, que ainda encontra ouvidos." NIETZSCHE
P.S.: Define-se assim o conceito fundamental da pesquisa e pedra angular para o desenvolvimento da Habitação Contemporânea Existencialista. Os próximos posts apresentarão leituras projetuais e elementos mais "táteis" para análise projetual.
[1] O termo “Extropiano” deriva de Extropia, que quer dizer “uma metáfora que se refere às atitudes e valores compartilhados por aqueles que desejam superar os limites humanos através da tecnologia. Estes valores (...) incluem o desejo de direcionar a pessoa na busca do eterno progresso e da autotransformação com uma atitude de otimismo prático implementado, usando o pensamento racional e a tecnologia inteligente numa sociedade aberta”.
[2] GOERTZEL, B. O culto dos Übermensch.
[1] NAFFAH, A.N. Nietzsche: a vida como valor maior.
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
Uma filosofia burra...
Friedrich Nietzsche
A busca pela compreensão do "símbolo" humano traz-nos inquietações, dúvidas. E um profundo questionamento a respeito do ser "homem", sim, o homem contemporâneo, o estereótipo que apresenta-se no ápice de uma definição.
Sofistas ingênuos:
"O homem é a medida de todas as coisas", teve Protágoras a infelicidade da autoria dessa afirmação cerca de 480 a.C. Um sofista e aspirante filósofo (rs..ironias a parte) O ponto é, a que tipo de homem ele imaginava se referir? O "ser" precipitado, hipócrita e moralista "homem" não pode ser a medida nem de si mesmo, não conhece suas propriedades mínimas.
O Problema de Sócrates:
Lamentável é a precipitação em pôr em juízo o valor da vida, e infeliz de quem o faz. "Viver - significa há muito estar doente: devo um galo a Asclépio, o salvador" - Sócrates, 470 a.C. Os grandes sábios da Antiguidades mostram-se nada além de tipos de decadência.
Tais juízos apresentam-se como sintomas, nada além, sintomas de decadência e bobagem. Um vivente, jamais pode lhe estimar valor, ele é parte interessada.
A busca Übermensch:
Diante de poucos exemplos de afirmações equivocadas, o homem definha-se como ser pensante, racional. E, "emporcalha-se" na moral criada por ele próprio.
Busca-se então "die Übermensch".
P.S.: Fique aqui esclarecida, a intenção de não definir imediatamente o conceito "Übermensch". Mas antes, sejam dados textos de suporte para seu entendimento.
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Quando o desafio torna-se instigante...
Algumas paixões nascem quando a infância nos deixa, e acompanha-nos até anos distantes, e talvez pela vida toda.
Uma delas é a Filosofia, outra a Arquitetura, uma paixão que veio tardiamente.
Alguns episódio nos servem para ver a incredibilidade das pessoas...No entanto, cabe a nós provar do que somos capazes mediante quaisquer circunstâncias sejam.
Nesse ponto, hoje apresento aqui apenas um texto inicial, confirmando a quem interesse saber meu Trabalho Final de Graduação: "Habitação Contemporânea Existencialista: um anteparo ao Übermensch".
Essa é minha paixão e meu desafio.
P.S.: Vale a ressalva que essa introdução apresenta caráter mais pessoal e particular, uma exceção aos próximos posts, de feições mais impessoais e acadêmicas.