domingo, 16 de agosto de 2009

depois de 5 anos...


A Arquitetura para mim...



A Arquitetura entendida pura e simplesmente como ambiente construído fisicamente é no mínimo um conceito atrasado e leigo. Arquitetura é sonho, é romper paradigmas e tabus, é acreditar no imaterial, no virtual. Arquitetura é pensamento, é libertação, é alimento para a alma de uma aspirante à arquiteta que se esbanja com deliciosas palavras que enaltecem a beleza da profissão. É uma conversa agradável em uma mesa de bar, é divagar por aí sem pensar em nada e em tudo ao mesmo tempo, é acreditar que podemos sim fazer a diferença, com a sutil diferença de não esperar nada em troca. É inquietação e inconformismo. É saber que arquiteto não é aquele que faz mansões, mas aquele que sabe de seu papel social nas cidades e sociedade.
Arquitetura não existe apenas com tijolos e concreto armado. Arquitetura existe com paixão, de quem por ela morre de amores e nela acredita. Arquitetura é a forma, o traço, o simples e o complexo... Arquitetura é vida!

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

o que a arquitetura me permitiu...

Já se passou um bom tempo desde o dia 18 de dezembro de 2009, minha banca final!
Mas como foram penosos os dias que antecederam a data.

Sem grandes divagações e abordagens profundas do ser...Acompanhando o momento mais pragmático que tomou meu cotidiano:

O resultado de mais de um ano de paixão, pesquisa intensa, reflexões..o que a arquitetura me permitiu realizar!!!

"Uma casa: ensaio quase poético para um anteparo à existência"

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Terapia Forçada de Graduandos >>>TFG

Tfg...?


Parece algo racional e coerente, a ser planejado, elaborado e concluído..simples assim! Um TFG vai muio além de um trabalho final de graduação (pelo menos é o q tem sido para mim...)
Ele é um espelho da nossa alma, nosso estado de espírito, um reflexo de como lidamos com os obstáculos ao longo do caminho percorrido.
Meu medo é que ele reflita de tal modo, a expôr-me por inteira.


Arquitetura, desde que tornei "íntima" dela, tornou-se minha melhor companhia, amiga e fiel. Arrebatou-me com uma paixão, prendeu a elas meus melhores sonhos, tomou para si meus melhores anos, minhas mais incríveis lembranças.


E agora, o TFG, uma despedida em meio a tantas turbulências, que assim eu não queria q fosse. Pena não podermos controlar tudo a nossa volta e programarmos cada passo friamente..com o calculismo exato de um perfeccionista nato.


Fico a mercê de um trabalho de faculdade, que expõe a minha vida e minhas crises, e com a incoerência de ainda assim não ser o melhor de mim, e sem eu saber se sou eu mesma, ou apenas máscaras..."Máscaras" que me perseguem desde que tomei consciência da minha existência. "Máscara" indissolúvel, "Máscara" hipócrita... "Máscara" que nem eu sei definir de tantas que são.


Eu sou.."Máscaras", "apaixonada"

Acho que eu sou quem eu não gostaria...

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

O lugar de uma utopia...existe?

A banca, dada por iniciada e lá pelas tantas um questionamento que eu própria não sabia responder. Há lugar físico para um pensamento utópico? Conseguiria eu materializar uma idéia?

(Friza-se que naquele momento nem idéia muito bem formada era, eu costumava dizer q era ainda a "fagulha de uma idéia"...)

Um dos grandes resultados enriquecedores daquela discussão proporcionada por duas, das três cabeças que estavam na banca, pq uma delas, coitada, pôs se a discutir união matrimonial em meio a Nietzsche. Algo que os presentes e eu nos recusávamos a acreditar. Pior, uma pessoa com esse paupérrimo senso crítico "lecionava" na instiuição em questão, algo ainda mais dificil de acreditar.

Ah, desculpem o desabafo, mas as vezes o MEU senso crítico vem a tona e não dá... Ouvi "besteira" em demasia para uma só "pré-banca"... Para felicidade geral dos formandos com o mínimo de cérebro em uso naquela faculdade, a feliz pessoa q se prestou a discutir questões matrimoniais particulares diante da filosofia existencialista de Nietzsche, já não se encontra mais em solo uberabense...ufah!

Voltando ao assunto principal: o lugar de uma utopia, mais especificamente a "minha" utopia...

muito pobremente eu imaginava um terreno amplo em um eixo dorsal da cidade de Uberaba, claro que, uma idéia estúpida e muito aquém da minha proposta de TFG. É incrível como algumas coisas bobas nós nunca conseguimos observar sozinhos e com a ajuda da banca, decidimos que para um projeto utópico nada melhor que tudo se realize na virtualidade, algo tão óbvio, e que eu não havia enxergado até então.

>>> a primeira "pré-banca" a gente nunca esquece...



Até o presente momento, foram tantos os acontecimentos que privaram-me de aqui relatá-los em seu tempo verdadeiro.

Com certo atraso, consta aqui a experiência de minha primeira pré-banca.

Algo entre o deslumbramento, o medo e a conquista.

Deslumbramento com o novo, inesperado, a surpresa com algo dentro de mim que ainda era desconhecido. Uma mistura de algo estranho com não-sei-o-quê...rs..

A conquista de ter meu trabalho reconhecido, obviamente, com muitas ressalvas entre um reconhecimento e outro. Gratificante ver tanto tempo de trabalho árduo, revezando entre mamadas, fraldas trocadas e noites em claro no notebook escrevendo meu TFG.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

O limite entre as máscaras, interpretação e insanidade...







Um Louco em Desespero

Ai de mim! O que escrevi na mesa e na parede,
Com meu coração de louco, com minha mão de louco,
Devia decorar para mim mesa e parede?...

Mas vocês dizem: “As mãos de louco rabiscam,
É preciso limpar a mesa e a parede
Até que o último traço tenha desaparecido!”

Permitam! Vou dar-lhes uma pequena mão –
Aprendi a utilizar a esponja e a vassoura,
Como crítico e como homem de trabalho.

Mas quando o trabalho estiver findo,
Gostarei muito de vê-los, supersábios que vocês são,
Mesa e parede de sua sabedoria, sujas...

NIETZSCHE, a gaia ciência, p. 275

Intimidade _ um elogio ao ser e à solidão

>>>
...o desvelamento da intimidade como fuga à coerção social e busca individual
A busca pela sublimação pretendida e o alcance de ir "alto e além", o super-homem, leva a discussão da intimidade e a cognição dela em relação ao ser.
A intimidade traz consigo uma particularidade do anseio humano. A necessidade do momento íntimo se mostra presente desde o surgimento da sociedade.
Hoje como é concebida a intimidade, só se deu ao longo de transformações históricas, passando a assumir diferentes aspectos para diferentes contextos. E ela liga-se ao fato de negar a forma como era vista a privatividade pelos gregos e romanos, como privação dos desejos impulsos próprios do comportamento humano, exatamente aquilo que o presente trabalho se propõe a combater.

O espaço da vivência social, do lazer e do convívio se fecha em torno da moradia. A negação da exposição social fez com que ele invertesse sua posição e passasse para o fundo do lote. Essa é a “descoberta” da intimidade, onde “a esfera pública tornou-se um fardo a ser negado[1]”.

[1] DUDEQUE, 2000, p.81

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

>>>Hedonismo consumista

"Não estou falando de fazer casas feias, o que digo é: suponhamos que fazemos uma casa que não é simplesmente um "lugar feliz", que está à beira de ser misteriosa, que contém o sublime, um elemento do incerto e talvez de terror. Algo que está mais além da beleza."
Peter Eisenmann apud ÁBALOS, 2001

objetos de desejo e realização...

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Heidegger e algumas questões ontológicas

Seu refúgio: uma casa existencialista.

A cabana de Heidegger em Todtnauberg, em Selva Negra.


"Sobre la pendiente de un acho valle rodeado de montañas en la parte sur de la Selva Negra, a una altitud de1150 m, se levanta una pequeña cabaña de esquí. Las medidas en planta son de 6 por 7 metros. El bajo tejado colgante cubre tres habitaciones: la cocina, que también es sala de estar, un dormitório y un estudio. Esparcidas en inmensos intervalos a lo largo de la estrecha base del valle y sobre la escarpada ladera opuesta, se apuestan las casas de labranza con sus grandes cubiertas suspendidas. Más arriba de la pendiente, las tierras de pastos y prados dan paso a los bosques con sus oscuros abetos - valerosos y alienados. Sobre todas las cosas ali se levanta un cielo claro de verano, y en su radiante expansión dos halcones planean alrededor de amplios círculos."
HEIDEGGER

Heidegger com um balde de água na porta da cabana.


O Habitar, para Heidegger, em seu pensamento existencial, não é visto insubstancialmente. E essa questão remete às perguntas primeiras, indagações sobre o ser e seu sentido, tratando-as como objeto primeiro da Filosofia. Para o filósofo, essa pergunta não pode ser entendida sem considerar o redor onde vive o sujeito existencial, tudo que lhe é familiar. A casa está como materialização de uma vida que se desenvolve através de um tempo existencial e não cronológico.


A casa do sujeito que se interroga sobre si mesmo é algo mais que um marco neutro, nela habita quem pensa sobre si mesmo e por sua vez esse pensamento habita a casa.

A habitação é um reflexo de nossos conflitos, um lugar do íntimo e do inóspito, um lugar de alienação que mostra ou esconde um despreendimento, uma capacidade para o pleno desenvolvimento do ser.

ÁBALOS, Iñakis. La Buena Vida. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2001. 208 p.

a antecipação de Mies...

...e o retrógrado Modernismo.

Ao longo de quase oito anos, desenvolveu-se em Mies van der Rohe uma incessante inquietação e pesquisa em torno das "casas-pátio" desenhadas por ele. Qual a intenção e o sentido dessa incansável investigação? O que buscava e quais conclusões obteve alcançado seu resultado mais elaborado em 1934, "A casa de três pátios"?

No auge de sua carreira como arquiteto, Mies inicia seu contato com um novo grupo de inelectuais e vislumbra novas concepções. Em especial, Alois Riehl, seu cliente e estudioso da obra de Nietzsche. Na medida em que se aproxima da obra do filósofo alemão, distancia-se do Positivismo Moderno e seus preceitos.

"Somente através do conhecimento filosófico se revela a ordem correta de nossas tarefas e assim o valor e dignidade de nossa existência." MIES, 1927

"Objeto-tipo"


Logo Mies inicia sua investigação em torno do Existenzminimun visando a otimização de tipos standartizados de moradias para famílias operárias.

A aprimoração de Mies visava a idéia de "individualizar um sistema", isto é, operar com poucas variáveis ligadas entre si para obter resultados completos e diversos: construtivos, espaciais e estruturais.

Se estudamos as dimensões desses projetos todos aproximam-se de 200 e 300 metros quadrados, somando os pátios, aproximam-se de 1000 metros.

As casas-pátios, como exercícios abstratos, e projetadas sem cliente são desprovidas de um programa familiar. E Mies, querendo trabalhar o máximo de abstração sobre a habitação, se nega a pensar em termos "familiares". Renuncia-se a pensar em programas convencionais completos, elementos representativos de privacidade e exigências morais embutidas.

Em nenhum desses estudos as tipologias possuem mais de um dormitório, mais precisamente, nenhuma possui mais que uma cama. Na verdade, não existe um espaço enclausurado, um "cômodo" que possa denominar-se dormitório. O espaço organiza-se de forma contínua com interrupções onde estão móveis e objetos. Essas "interrupções" são planos que sutilmente indicam as funções a serem executadas no local. Nesse momento, Mies van der Rohe já dava início a discussão sobre continuidade e conectividade, o questionamento de como viveria o homem moderno se visasse atender unicamente sua individualidade.

Investigação Miesiana X Tirania igualitarista do "objeto-tipo"

= Casa com três pátios de 1934

Apesar do caráter contínuo, os espaços e seus usos se distinguem com clareza. Sua distribuição é relativamente funcional, os espaços adequados, a cama com dimensões generosas.

Se considerassemos duas dimensões, dificilmente imaginaríamos que seu usuário seria uma pessoa única. Assim como, não imaginaríamos que os muros ali presentes não pretendem servir de limites para o lote, nem para criar ali um microclima. Os muros estão para criar um ambiente de privacidade, para ocultar o habitante da moradia, para permitir que se desenvolva dentro da casa uma vida profundamente livre, livre de toda moral, distante de qualquer coersão social ou policial.

ÁBALOS, Iñakis. La Buena Vida. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2001. 208 p.